segunda-feira, 20 de junho de 2011

ela

Ontem eu renasci.

Sozinha, suja, no escuro, não querendo estar sozinha nem suja e muito menos no escuro.
Não sei quem nasceu no lugar do outro eu que já era – se foi -,
só sei que é diversa, que me é estranha, indecifrável e educadamente fria.

Nasceu ali no meio do turbilhão, do não-existir que me calava,
se antes eu era invisível, agora tenho cor desconhecida,
mas agora me veem,
e se não me veem eu grito para que me escutem,
e me escutam,
porque eu sei onde lhes dói a ferida.

Alguns vociferam violentos em troca, mas eu não escuto,
Nunca escutei, não é agora que.
Pois se ontem, quando morri, eu estava sozinha,
Não foi por minha culpa.
Eu não fiz nada
A minha vida inteira eu não fiz nada pra merecer isso.
Eu tentei
E tentei
Sempre

Mas tudo foi tudo em vão
Então tá então

Vão pro inferno
Que eu acabei de sair de lá.

1 comentários:

Lasombra Ribeiro disse...

A Perfe3ição nasce do caos...