da primeira vez que o vi, chovia muito.
encontrei-o distraído em seu caminho emaranhado,
imerso até os cabelos no seu mundinho bobo e hipoteticamente feliz.
uma pessoa distraída da vida, alguém por quem a dor não passou,
e não minto que isso me fez o achar um extraterrestre.
até ele me cumprimentar, é claro,
e me olhar com aquele olhões curiosos de "vem cá, quem é você, gostei de você, quero você".
definitivamente, um atrevido.
da segunda vez que o vi, chovia, de novo.
ele disse que a solidão tinha me deixado muito séria,
e que eu precisava mudar isso,
o que logicamente eu respondi que não era da sua conta,
e que mais logicamente ainda ele me respondeu com um sorrisão
mais largo e indefinido que o Rio Amazonas.
da terceira vez que o vi, dessa vez choveu bastante,
mas por dentro de mim.
ficamos em silêncio brincando com as gotas de chuva,
e sem perceber,
não vi que ele estava me afogando em seu mundo,
com a crueldade mais doce que eu poderia imaginar.
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1 comentários:
antes que meus caros leitores achem que esse texto é autobiográfico, ele faz parte de um projeto que estou desenvolvendo.....
hugs and kisses
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